Por: Marco Clivati –

Você só consegue enchergar um único desenho até que alguém lhe conte que aquela imagem esconde uma segunda forma. De repente, sem mais nem menos, você é capaz de ver a nova figura. É como se os olhos se libertassem. Uma nova imagem surge, com um novo significado, que antes era invisível aos olhos e à mente.

Com o vegetarianismo acontece algo parecido. Por algum nobre motivo o “clique” acontece. Antes, aquilo que você enxergava apenas como alimento ganha um novo significado. A carne que um dia foi colocada sobre o prato agora é vista como o corpo de um animal senciente, um ser com sentimentos, com consciência da sua própria vida.

De repente, um novo clique. E não é somente a carne. O leite, o ovo, uma cadeia inteira de exploração animal surge ao redor. Até um inofensivo sabonete esconde uma violência oculta aos olhos. A vida, a sua e a de todos os outros seres, recebe um novo significado, um novo respeito.

É possível passar anos e anos, quem sabe uma vida inteira, sem que o “clique” aconteça. Mas, quando acontece, não tem volta. Aqueles que conseguem olhar com o coração e não apenas com a visão simplista dos olhos e da mente enxergam um novo horizonte. Despertam para uma vida repleta de novos e verdadeiros significados.

 

Esse texto foi retirado da Revista dos Vegetarianos, seção Editorial, edição 118.