Por: Marco Clivati –

Tenho necessidade de pisar descalço na mata, sentir o sal da água do mar abraçar meu corpo, respirar maresia.

Meu contato com os encantos do mar vem desde o berço. Com dois ou três anos, lembro-me do meu pai me segurando no colo para pular as ondas do mar. Eu ficava aflito, sentia o perigo iminente. Ali, sem saber, meu pai me ensinava uma das minhas primeiras lições, enfrentar o medo e os desafios das vida.

Dessa necessidade de estar em contato com o oceano e de superar desafios, o surfe surgiu como um verdadeiro presente em minha vida. Muito mais do que um esporte, o surfe é uma prática quase que espiritual. Uma experiência única, de máxima contemplação e conexão com as forças da natureza.

O surfe e esse contato íntimo com o mar me ensinaram algumas lições. Percebi que as leis naturais que regem o oceano são as mesmas da vida. Há dias sem ondas, dias de águas mexidas e congelantes e dias de ondas perfeitas e cristalinas. Na vida, assim como no surfe, há momentos de puro êxtase, quando você desliza pela onda perfeita, e há momentos de desespero, quando você toma um belo “caldo”.

Para surfar a onda da vida, é preciso coragem, enfrentar os medos e remar forte. E um dos grandes segredos, talvez o mais importante, é saber relaxar quando você for pego em cheio por uma onda. Nesses momentos, se relaxar não for possível, caso alguém apareça e estique o braço para tirar você do fundo do mar, ou ofereça colo para enfrentar as ondas juntos, aceite. Há muitas ondas a serem surfadas nesta vida. E elas são incríveis!

 

Esse texto foi retirado da Revista dos Vegetarianos, seção Editorial, edição 112.