Por: Marco Clivati –

No coração, o afeto floresce e perfuma tudo ao redor. No rosto, sem mais nem menos, o sorriso desabrocha e mostra toda a sua beleza. Assim são os seres apaixonados. Rendem-se ao ser amado de corpo e alma.

É uma relação de devoção, de entrega total, pura e bela. Uma comunhão vital, em que o coração pede passagem à mente, uma mera coadjuvante.

Por aqui, a vida é feita de milhares, de milhões, quem sabe, de infinitas relações. Os seres despertos são apaixonados não só pelo ser amado. Vivem apaixonados por si, pela vida. Entregam-se confiantes a todas as suas relações e ações. Regam o próprio ser e tudo a sua volta com a inesgotável fonte do amor.

O mundo fica mais belo e leve com os seres apaixonados. São como cores no jardim da vida.

Chega de cercas no jardim, de galhos secos e repletos de espinhos. É preciso regar constantemente o próprio solo com amor. Somente assim, a semente se transforma em uma linda cor, espalhando perfume e beleza. Cultivar e cuidar do próprio jardim é a melhor maneira de cativar a transformação de outros jardins.

Há uma eterna primavera dentro de cada um. Basta regar a semente interior com a mesma entrega e devoção dos seres apaixonados. O jardim
da vida agradece.
 

Esse texto foi retirado da Revista dos Vegetarianos, seção Editorial, edição 117.